Iguatemiense conquista título de “Melhor Merendeira” do Estado e ensina a receita da torta nutritiva de mandioca, sem glúten

A merendeira Carme Albertina Ferronatto Zorzanello, que trabalha na Escola Estadual 8 de Maio, no município de Iguatemi, foi a vencedora de Mato Grosso do Sul na 3ª edição do Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

A receita inscrita por ela foi a torta nutritiva de mandioca, sem glúten. Os ingredientes necessários e o passo a passo estarão detalhados num e-book sobre boas práticas na alimentação escolar que ainda será lançado e terá outras 54 receitas premiadas em outros estados.

Foram classificados os inscritos de escolas estaduais, municipais e da rede federal. Entre os inscritos das redes estaduais, Carme ficou em 3º lugar.

Carme (a mais alta) e as colegas de trabalho na cozinha escolar (Foto: Divulgação/SED)

Mato Grosso do Sul teve outras quatro receitas inscritas: “Tesouro Jardinense: Cores e Sabores da Nossa Terra” (Jardim), “Raízes Carioca, Alma Guarani” (Jardim), escondidinho “do Campo” (Taquarussu) e almôndegas ao molho sugo de legumes (Dourados).

Premiação – Além do reconhecimento nacional, a merendeira receberá R$ 5 mil em premiação e a Escola Estadual 8 de Maio ganhará R$ 8 mil para aquisição de equipamentos ou melhorias na cozinha escolar. Uma cerimônia de premiação acontecerá em Brasília (DF), durante o Prêmio PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) 2026, em 23 de junho.

Os vencedores foram escolhidos por votação popular realizada entre os dias 15 e 30 de maio. Concorreram 136 preparações finalistas.

As receitas participantes priorizam o uso de alimentos regionais, ingredientes da agricultura familiar e estão alinhadas ao PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).

Carme ensina torta premiada de mandioca sem glúten

Depois de ver a torta de mandioca sem glúten ganhar reconhecimento nacional, Carme Albertina Ferronatto Zorzanello compartilhou a receita deu a ela quase 900 votos e o título de melhor merendeira de Mato Grosso do Sul.  Em Iguatemi, foram dias para tentar acertar a proporção de ingredientes e deixar a torta perfeita. Hoje, a gente te mostra como fazer ela em casa e parar de passar vontade.

Massa

500 g de mandioca crua e picada
3 ovos
50 g de manteiga
120 ml de leite
10 g de sal
100 g de queijo muçarela ralado
15 g de fermento em pó químico
Recheio

300 g de peito de frango
Louro a gosto
Alecrim a gosto
50 ml de óleo
50 g de alho
100 g de cebola
100 g de milho verde
100 g de cenoura
100 g de tomate
100 g de vagem, ou talos de couve como alternativa
Cheiro-verde a gosto
Ora-pro-nóbis a gosto
Finalização

200 g de queijo muçarela ralado
Orégano a gosto

A ideia de Carme era fazer algo que valorizasse a agricultura familiar. Para preparar a torta, comece pela massa. Bata no liquidificador a mandioca crua e picada, os ovos, a manteiga, o leite e o sal até formar uma mistura bem homogênea. Em seguida, acrescente 100 gramas de queijo muçarela ralado e misture novamente. O fermento em pó deve ser colocado por último, mexendo com cuidado, apenas para incorporar.

Enquanto a massa descansa por alguns minutos, prepare o recheio. Cozinhe o peito de frango com louro e alecrim a gosto. Depois de cozido, escorra e corte o frango em pedaços pequenos. Em uma panela, aqueça o óleo e refogue o alho e a cebola. Na sequência, acrescente o milho verde, a cenoura, o tomate e a vagem, ou os talos de couve, caso prefira a substituição. Junte o frango ao refogado e misture bem.

Com o fogo já desligado, acrescente o cheiro-verde e a ora-pro-nóbis, deixando que o calor da panela murche levemente as folhas. Para montar, unte uma travessa com manteiga e coloque uma parte da massa no fundo. Depois, espalhe o recheio por cima e cubra com o restante da massa.

Finalize com os 200 gramas restantes de queijo muçarela ralado e orégano a gosto. Leve ao forno preaquecido a 250 °C por aproximadamente 30 minutos, ou até a massa assar e a superfície ficar dourada.

Receita de Carme leva até ora-pro-nóbis (Foto: Arquivo pessoal)

A repercussão surpreendeu a merendeira. Ela não imaginava chegar à final e muito menos ver uma receita ganharia espaço em uma disputa nacional.

Mas a história de Carme com a comida começou bem antes do concurso. Ela trabalha na alimentação escolar desde 2000, em Iguatemi, mas aprendeu a cozinhar ainda menina, criada no campo ao lado de 6 irmãos. A cozinha, primeiro, veio como necessidade da vida na roça. Depois, virou habilidade, afeto e profissão.

A principal professora foi a mãe, já falecida. Foi com ela que Carme aprendeu os primeiros preparos e a relação de cuidado com o alimento. Essa memória aparece no jeito como ela fala da merenda.

Depois do casamento, em 1993, Carme encontrou na cozinha da escola uma forma de manter viva essa ligação com a comida e, ao mesmo tempo, servir a comunidade. Incentivada por colegas de trabalho, decidiu inscrever a receita no concurso.

O diretor da escola, Vilson Jorge Dallabrida, resume essa relação como uma herança afetiva. “A senhora Carme tem uma relação afetiva com a confecção dos alimentos, pois herdou esse dom de sua falecida mãe, em uma história cheia de memórias e afetividade”, disse.

Fonte: Campo Grande News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *