Faz uso de telas em excesso? Especialista alerta como evitar lesões cervicais

As dores cervicais e tensões musculares relacionadas à má postura têm se tornado cada vez mais comuns, principalmente entre jovens e adultos que passam longas horas utilizando computadores e celulares. Com a rotina e trabalho cada vez mais dependente das telas, especialistas alertam para a necessidade de policiar o uso contínuo desses aparelhos, além de ressaltar a importância de cultivar hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos, a fim de prevenir e diminuir o risco de lesões. 

Relatos como o da jovem campo-grandense Heloisa da Silva, de 22 anos, ajudem a ilustrar este cenário. Ela conta que começou a sentir dor aos 18 anos, principalmente na parte de cima das costas. Ela descreve que, apesar de não sentir uma dor constante, sempre que tinha crise de dor, ela vinha forte. Além disso, acrescenta que também sentia bastante incômodo no maxilar, principalmente para comer. 

Ao investigar a causa, descobriu o diagnóstico de Escoliose e Disfunção Temporomandibular, condições que, quando não são tratadas, resultam em má postura ou tensão, gerando, consequentemente, mais dores.

Heloisa relata que faz uso de telas com frequência em seu dia a dia. Além das 10 horas diárias gastas no celular, para entretenimento, também faz uso de computador quando está no trabalho. Ela expressa que as horas que passa exercendo sua função no ambiente laboral são mais ‘tensas’ do dia. 

“A concentração necessária me deixa mais tensa e, como trabalho sentada, quando vejo estou com a postura completamente errada. Essa tensão que se acumula durante o dia acaba gerando consequências principalmente à noite e as dores representam um desafio na hora de dormir”, descreve a jovem. 

Dor chegou a um ponto crítico antes de buscar ajuda 

Heloisa conta que só percebeu que as dores que sentia não eram normais quando o incômodo chegou a um ponto crítico, após passar vários dias tendo crises de dor. A partir desta experiência, buscou um especialista para investigar a causa e foi encaminhada para o tratamento com fisioterapia. 

“As consultas, assim como as sessões de fisioterapia, foram tranquilas. Ao todo, fiz dez sessões no ano passado de RPG, que é um tratamento voltado para a correção na postura. Agora, faço sessões voltadas à DTM, e consequentemente acabo tratando a coluna também, já que uma dor acaba impactando a outra”, explica. 

Conforme a jovem, existem uma série de hábitos, aos quais ela chama de ‘tratamentos vitalícios’, que precisa seguir para garantir qualidade de vida. Dentre os principais, cuidar e corrigir a postura no trabalho, evitar carregar pesos de um único lado (como mochilas, sacolas) e manter o fortalecimento por meio da musculação. 

“Meu maior desafio com certeza é o hábito. O fato de passar horas sentada trabalhando em frente ao computador dificulta que eu mantenha a postura correta por muito tempo e, quando vejo, já estou fazendo o oposto do que deveria. Essa parte de observar e corrigir é difícil porque é algo que, muitas vezes, passa despercebido”, diz a jovem. 

Prática de exercícios e alongamentos aliviam tensão

O ortopedista e diretor da Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico, Dr. Gustavo Sanchez, explica que pessoas que ficam muito tempo em frente ao computador, ou realizam atividades repetitivas, devem fazer pausas de uma em uma hora, de pelo menos dois minutos, para fazer um alongamento cervical. 

Essa atitude é fundamental para evitar dores e lesões. “Você pode colocar a cabeça para baixo, a cabeça para o lado, fazendo realmente o alongamento desta musculatura paracervical”, exemplifica. A prática de esportes e atividade física também é indispensável para diminuir as chances de sentir dores cervicais, além de fazer bem ao corpo como um todo. 

O especialista destaca que, em caso de pessoas que possuem muitas dores nessa região, também podem optar por praticar uma atividade esportiva que trabalhe, especificamente, a musculatura ao redor do pescoço, do ombro e da região dorsal. “Em casos específicos, você pode até fazer trabalhos voltados para a região cervical”. 

Pessoas que trabalham em frente ao computador, notebook ou com o celular devem se atentar à posição (Foto: Léo de França, Jornal Midiamax)

Mau uso do celular é prejudicial 

O celular virou um item de uso constante no dia a dia das pessoas, tanto em momentos de lazer quanto no trabalho. Segundo o especialista, a sociedade já chegou a um ponto em que não é mais possível simplesmente pedir para diminuir o uso do aparelho, principalmente quando ele é utilizado como instrumento de trabalho. 

Dessa forma, a solução é ficar atento a altura da tela, em relação à cabeça e olhos, e evitar passar longas horas com a cabeça baixa, olhando o visor. A prática de esportes físicos também é fortemente recomendada, bem como sessões de fisioterapia voltadas ao fortalecimento, especificamente, da musculatura paracervical. 

“Trabalhar com o celular mais alto, mais próximo à altura do seu olho, ajuda muito. Isso vai exigir que o seu ombro também trabalhe mais ,então você pode apoiar ou o celular sobre uma mesa, ou o seu cotovelo sobre uma mesa, por exemplo, para você também não sobrecarregar o ombro. Dessa forma você evita ou reduz a inclinação da sua cabeça, evitando então uma flexão exagerada da coluna cervical reduzindo a sobrecarga”, orienta o ortopedista. 

Prevenção

Conforme o especialista, a prevenção de lesões cervicais está relacionada, principalmente, aos hábitos dos pacientes. Ele explica que pessoas que já possuem o hábito de praticar atividades físicas e que mantêm a massa corporal saudável, por exemplo, tendem a ter mais resistência às dores e lesões. 

No caso de pessoas que trabalham muito tempo com a cabeça voltada para baixo, em frente ao computador, é necessário posicionar tanto a altura da cadeira quanto a altura da tela, próximo à cabeça. O teclado também não deve ficar nem muito abaixo, nem muito acima da altura dos olhos. Esses cuidados também previnem lesões em ombros e até mesmo tendinites relacionadas ao punho e cotovelo.

Pessoas sedentárias, com massa muscular corpórea baixa, obesidade e idosos são os perfis mais suscetíveis a desenvolver lesões cervicais. Além disso, trabalhar longas horas em frente ao computador sem o equipamento estar ergonometricamente posicionado, ou com o notebook no colo, e também fazer o uso prolongado do celular, são posições e hábitos que podem favorecer o desencadeamento de problemas na coluna cervical. 

Quando procurar ajuda médica

Conforme explica o ortopedista e diretor da Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico, Dr. Gustavo Sanchez, os problemas mais comuns no pescoço e na coluna cervical, relacionados a má postura, são as dores cervicais, que podem estar relacionadas, ainda, com outros sintomas, incluindo a sensação de choque que pode irradiar para os braços. 

O especialista explica que esses sintomas devem ser levados em consideração, principalmente quando o paciente começa a ter a sensação de formigamento nas regiões próximas à mão e aos dedos e a perda de força muscular. 

“Quando você começa a ter dificuldades, por exemplo, de abotoar uma camisa, ou perda de força para segurar um copo ou para pegar numa caneta, são sintomas que podem sugerir um agravamento de um quadro que precisa ser investigado”.

Desta forma, o ortopedista explica que pacientes que já sofrem com dores constantes, e passam a dissolver sintomas como a sensação de choque e formigamento que irradia do braço para mãos e dedos, precisam passar por uma avaliação ortopédica. 

“Pode ser necessário um tratamento conservador, com fisioterapia e medicações. Na minoria dos casos, pode ser considerada a necessidade de uma cirurgia para tratar a raiz desses sintomas. Então é fundamental a avaliação de um especialista e o diagnóstico adequado para propor o tratamento melhor e mais seguro”, frisa.

Fonte: Midiamax

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