Mesmo com descontos nas nacionais, canetas do Paraguai ainda custam menos

Com composto de semaglutida sintética e indicação principal para o tratamento de diabetes tipo 2, as novas canetas emagrecedoras de fabricação brasileira chegaram às farmácias de Campo Grande neste mês de setembro. Ao todo, mais de dez medicamentos injetáveis receberam a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a produção como soluções emagrecedoras.

Mas, apesar da variedade e da popularização desse tipo de medicamento por meio de influenciadores e celebridades com outras duas grandes marcas produtoras das canetas de semaglutida, as regras no Brasil não mudaram: ainda é preciso a prescrição médica para adquirir esses produtos nas farmácias de todo o país.

Com a queda da patente da semaglutida em março deste ano, iniciou-se uma corrida entre as empresas farmacêuticas brasileiras para a solicitação de registro à Anvisa e a produção dos medicamentos, que são oferecidos com valor abaixo do tradicional fabricante dinamarquês.

Com a chegada dos novos emagrecedores ao mercado farmacêutico de Campo Grande, o Jornal Midiamax realizou uma pesquisa sobre valores e unidades em que o medicamento já está sendo comercializado desde o início deste mês.

Durante a pesquisa realizada em estabelecimentos da Capital, que serão identificados como Farmácias 1, 2 e 3, foram encontrados os dois tipos de emagrecedores: o Ozivy, de fabricação brasileira pela EMS, e o Semavy, fabricado pela Hypera Pharma, em parceria com uma indústria indiana.

Preços seguem média entre as farmácias

Na Farmácia 1, localizada na Avenida Afonso Pena, a pesquisa encontrou apenas o emagrecedor Ozivy de 1 mg, com 3 ml na ampola, que, no espaço físico da unidade, é vendido por R$ 636,00, com um desconto oferecido pelo laboratório na compra de três unidades, custando R$ 1 mil com três canetas. No mesmo local, na unidade física ou on-line, não foi encontrado o Semavy.

Já na Farmácia 2, também localizada na Avenida Afonso Pena, foram encontrados os dois emagrecedores, com possibilidade de compra e entrega ao cliente em até 30 minutos. Nesse local, o Semavy é comercializado em duas diferentes dosagens, sendo: 1 mg e 3 ml, com uma caneta, vendido por R$ 464,81; e 0,25 mg/0,5 mg e 1,5 ml, com uma caneta, vendido por R$ 278,89.

O estabelecimento também oferece ampolas do emagrecedor Ozivy em duas diferentes dosagens: 1 mg com 3 ml, custando R$ 796,82 com duas canetas, e 0,25 mg/0,5 mg com 1,5 ml, custando R$ 278,89, com uma caneta.

Na Farmácia 3, localizada na Rua 14 de Julho, no Centro de Campo Grande, os dois emagrecedores foram encontrados com os menores valores durante a pesquisa. No caso do Semavy, o que diferencia o preço é apenas a quantidade de medicamento que está dentro da ampola.

O Semavy, com 1,34 mg e 1,5 ml, custa R$ 404,43, mas, com o desconto da promoção, a ampola pode ser comprada por R$ 278,89 — um valor muito abaixo do precificado em outros locais. Já no caso da ampola de 1,34 mg/ml e com 3 ml, o valor normal de venda é de R$ 675,71, mas, na promoção, a ampola acaba custando R$ 464,81 ao consumidor.

Já no caso do Ozivy, a mesma farmácia oferece o medicamento em três possibilidades de compra: 0,25/0,5 mg e com 1,5 ml, com uma caneta, por R$ 278,89; 1 mg e 3 ml, com apenas uma caneta, por R$ 333,00; e 1 mg e 3 ml, com 2 canetas, por R$ 796,82.

Emagrecedores paraguaios

Já no caso dos emagrecedores vindos do Paraguai, que são oferecidos por meio de redes sociais, o preço é bastante atrativo em comparação à venda legalizada do produto nas farmácias do Brasil. No caso do Lipoless, por exemplo, a reportagem encontrou, por meio do Facebook, uma promoção de ampolas do produto, mas sem descrição de armazenamento ou garantia de qualidade e efetividade do produto.

Na publicação, o vendedor, que não será identificado, anuncia uma ampola do emagrecedor de 15 mg/0,5 ml por R$ 200. Mas o produto conta com uma promoção: na compra de quatro ampolas, o consumidor paga apenas R$ 660,00, uma economia de R$ 140 se compararmos com a compra de cada frasco separado.

Mas o principal problema desses produtos não está no preço, que é muito atrativo ao consumidor, mas sim na garantia de qualidade ou até mesmo de eficácia e segurança das ampolas, que, por muitas vezes, entram no Brasil sem nenhum tipo de armazenamento correto, com a temperatura ideal.

Outro ponto de discussão sobre esse tipo de produto é a briga pelo mercado nacional, como é o caso, principalmente, de Ponta Porã, onde os emagrecedores entram em maior quantidade. Nesses locais, muitos dos consumidores preferem optar pela “fórmula internacional” do que comprar o produto legalizado e fabricado com as devidas medidas de segurança exigidas pelos órgãos brasileiros.

Um desses motivos é a não cobrança de receita médica no ato da compra no país vizinho, documento que é exigido para compras no Brasil, já que o medicamento é indicado para o tratamento de diabetes e emagrecimento, conforme recomendação médica.

Como comprar a caneta?

Para a compra das canetas de semaglutida, sendo elas fabricadas no Brasil ou não, é necessário apresentar uma receita médica válida, com a prescrição do medicamento na dosagem adequada, dependendo da necessidade de cada paciente. Lembrando que a receita deve conter a finalidade da prescrição pelo médico responsável, indicando se o medicamento será usado para diabetes ou controle de peso.

A recomendação é procurar sempre farmácias regularizadas para a compra do produto, além de marcas com referência e aprovação da Anvisa, o que garante a qualidade e a segurança desses medicamentos.

Não é recomendada a compra por meio de fontes clandestinas, redes sociais ou de pessoas não autorizadas, já que, nesse caso, os produtos podem oferecer riscos sérios à saúde.

Tráfico de emagrecedores

Além da segurança da saúde, a compra de emagrecedores por meios clandestinos acaba financiando e influenciando o tráfico, no caso de Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com o Paraguai. Um levantamento feito pela PF (Polícia Federal) mostra que o número de apreensões de medicamentos emagrecedores contrabandeados até junho deste ano superou o resultado de 2025. Já são 165.589 apreensões, contra 60.865 no último ano.

Segundo levantamento feito pela PF, houve uma alta de 172%. O pico foi em maio deste ano, quando houve 51.582 unidades ilegais apreendidas, mas os números mostram crescimento constante desde setembro do ano passado.

Entre os estados com o maior número de apreensões, estão Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, o maior mercado consumidor dos produtos. Os três primeiros são portas de entrada para o contrabando no Brasil; o Paraná teve um crescimento de 227% em apreensões; Mato Grosso teve 34%; e Mato Grosso do Sul, 124%.

Fonte: Midiamax

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