Riedel pode vencer no primeiro turno, aponta Instituto Ranking
A mais recente pesquisa do Instituto Ranking Brasil revela uma reconfiguração relevante no cenário eleitoral para o governo de Mato Grosso do Sul, com impacto direto nas estratégias dos principais candidatos. O governador Eduardo Riedel (PP) amplia sua vantagem e passa a flertar com a possibilidade de vitória ainda no primeiro turno, enquanto o deputado estadual João Henrique Catan (Novo) registra queda expressiva após deixar o PL. Já o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) cresce e se consolida como principal nome da oposição.
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Realizado entre os dias 5 e 10 de abril e divulgado neste domingo, o levantamento ouviu 2 mil eleitores em 30 municípios do estado. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela Rádio FM DA LTDA e está registrada sob os números MS-09026/2026 e BR-04089/2026.
Movimento mais intenso ocorre após definição partidária
Com o encerramento da janela partidária, o quadro de candidaturas se aproxima da definição final — restando apenas incerteza em torno de uma eventual entrada do ex-senador Delcídio do Amaral (PRD). Nesse contexto, a pesquisa estimulada captou as principais oscilações.
Riedel aparece com 43% das intenções de voto, avançando em relação aos 40,2% registrados em março e aos 40% de fevereiro. O crescimento ocorre em meio a uma estratégia de aproximação com o senador Flávio Bolsonaro (PL), em busca do eleitorado alinhado ao bolsonarismo — movimento que, segundo os dados, produziu efeito positivo.
Fábio Trad também apresenta evolução, alcançando 19,4%, ante 17,4% no mês anterior e 17% em fevereiro. O desempenho o mantém de forma consistente na segunda colocação, fortalecendo sua posição como principal adversário do atual governador.
Queda de João Henrique altera dinâmica da disputa
A principal inflexão do levantamento, no entanto, é a retração de João Henrique Catan. O parlamentar caiu de 14,8% em março para 8% em abril — uma perda de quase sete pontos percentuais. A mudança ocorre após sua saída do PL, partido associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, para disputar a eleição pelo Novo, legenda ligada ao ex-governador mineiro Romeu Zema.
O reposicionamento político, ao que indicam os dados, enfraqueceu sua conexão com o eleitorado bolsonarista, que passou a ser disputado de forma mais direta por Riedel.
Na sequência do cenário estimulado, Delcídio do Amaral surge com 6,2%, seguido por Renato Gomes (DC), com 3,2%, Jefferson Bezerra (Agir), com 1,4%, e Lucien Rezende (PSOL), com 0,6%. Brancos e nulos somam 9%, enquanto indecisos representam 9,2%.
Espontânea indica alto nível de indefinição
No cenário espontâneo — em que os eleitores não recebem lista prévia de candidatos —, a pesquisa aponta estabilidade entre os principais nomes, mas revela aumento significativo da indecisão.
Riedel aparece com 22% (leve recuo em relação aos 23,2% de março), seguido por Fábio Trad, com 8,2%, e João Henrique, com 3,8%. Delcídio registra 1,8%, enquanto os demais candidatos permanecem abaixo de 1%.
O dado mais expressivo, no entanto, é o crescimento do contingente de eleitores indecisos, que saltou de 32% para 38,2%. Brancos e nulos também avançaram, passando de 21% para 23,4%.
Possibilidade inédita de vitória no primeiro turno
Pela primeira vez na série histórica do Instituto Ranking Brasil, o levantamento indica uma projeção concreta de vitória de Eduardo Riedel já no primeiro turno. Com 43% das intenções de voto, o governador supera, somados, os 38% atribuídos aos adversários diretos.
Esse cenário é potencializado, sobretudo, pela perda de fôlego de João Henrique, cuja mudança partidária redesenhou o equilíbrio da disputa e abriu espaço para a consolidação da liderança de Riedel.

Disputa ao Senado em MS segue aberta
A indefinição interna do Partido Liberal (PL) sobre quem ocupará suas duas vagas na disputa ao Senado em Mato Grosso do Sul tem impacto direto no desenho eleitoral. Para captar esse cenário fluido, o Instituto Ranking Brasil Inteligência simulou quatro composições distintas, revelando um quadro competitivo e sensível às escolhas partidárias.
O levantamento, realizado entre 5 e 10 de abril com 2 mil eleitores em 30 municípios, indica que nomes ligados ao campo da direita seguem predominantes, mas sem hegemonia consolidada. Em praticamente todos os cenários, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), o ex-deputado Capitão Contar (PL), o deputado federal Marcos Pollon (PL) e o senador Nelsinho Trad (PSD) aparecem como principais postulantes às duas cadeiras em disputa.
Cenários evidenciam oscilações conforme composição
No primeiro cenário estimulado, com Azambuja e Contar representando o PL, o ex-governador lidera com 20%, seguido de perto por Contar (18,2%) e Nelsinho Trad (17,4%). A partir daí, há uma queda mais acentuada: o deputado federal Vander Loubet (PT) registra 8%, enquanto a senadora Soraya Thronicke (PSB) aparece com 7,4%. Os demais candidatos têm desempenho residual, e o índice de indecisos e votos inválidos soma quase 30%.
Quando a configuração muda e Nelsinho passa à dianteira no segundo cenário, com 19,4%, Azambuja (17%) e Contar (16,2%) mantêm-se próximos, sinalizando um empate técnico entre os três. Nesse arranjo, Vander cresce para 10,4%, enquanto Soraya alcança 8%, mantendo-se como alternativa no campo de centro.
Entrada de Pollon altera dinâmica e amplia vantagem de Nelsinho
A substituição de Contar por Marcos Pollon nos cenários seguintes modifica o equilíbrio. No terceiro cenário, Nelsinho Trad amplia vantagem e chega a 25,4%, abrindo distância sobre Pollon (13,2%). Vander (10,4%) e Soraya (9,2%) permanecem em patamar intermediário, enquanto a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, incluída como segunda opção do PL, atinge 4%.
No quarto cenário, a ordem se mantém, embora com margens mais estreitas: Nelsinho registra 21,8%, seguido por Pollon (16,4%). Vander (12,6%) e Soraya (10,4%) apresentam crescimento relativo, indicando que a fragmentação do campo conservador pode favorecer candidaturas de fora do eixo principal.
Espontânea reforça dispersão e alto índice de indecisão
Na pesquisa espontânea, em que os nomes não são apresentados previamente, o quadro revela menor cristalização das preferências. Azambuja lidera com 10%, seguido por Nelsinho (8,2%) e Capitão Contar (7%). Vander Loubet (2,6%) e Marcos Pollon (2,2%) aparecem na sequência, com Soraya Thronicke marcando 2%.
O dado mais relevante, no entanto, é o volume de eleitores sem definição: 40,2% afirmaram não saber ou não responderam, enquanto 25% declararam intenção de voto em branco ou nulo. O índice elevado sugere um cenário ainda aberto, no qual a definição das chapas — especialmente pelo PL — tende a ser determinante para consolidar candidaturas competitivas.

Flávio Bolsonaro assume liderança em MS, mas Lula cresce
No cenário nacional, a pesquisa aponta uma inflexão relevante na disputa presidencial em Mato Grosso do Sul: o senador Flávio Bolsonaro (PL) passa a liderar com folga após absorver parcela significativa do eleitorado anteriormente vinculado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O movimento reposiciona o cenário local e reforça a polarização com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também registra avanço, ainda que insuficiente para reduzir a diferença.
No cenário estimulado, Flávio atinge 40% das intenções de voto, crescimento consistente em relação aos levantamentos anteriores. Lula aparece com 32%, mantendo trajetória ascendente, mas sem encurtar a distância — que se amplia de seis para oito pontos percentuais. Os demais nomes testados permanecem abaixo da marca de 5%, evidenciando a concentração do eleitorado em torno de dois polos.
Entre os candidatos com menor desempenho, surgem o governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 1,4%, seguido por Aldo Rebelo (DC), com 0,8%, Renan Santos (Missão), com 0,6%, e Romeu Zema (Novo), com 0,4%. Brancos e nulos somam 10%, enquanto os indecisos chegam a 14,8%.
Transferência de capital político redesenha liderança
Na modalidade espontânea — sem apresentação prévia de nomes — a mudança de protagonismo se torna ainda mais evidente. Flávio Bolsonaro alcança 20%, praticamente dobrando seu desempenho em relação ao mês anterior, enquanto Jair Bolsonaro recua para 5%, após ter figurado com mais de 20% em fevereiro. A migração direta de intenções de voto sugere transferência consolidada de capital político dentro do mesmo campo ideológico.
Lula, por sua vez, mantém estabilidade nesse cenário, com 18%, preservando sua base mesmo diante da reorganização do eleitorado adversário. Na sequência, os demais candidatos aparecem com índices residuais: Caiado (0,6%), Aldo Rebelo (0,4%), Renan Santos (0,2%) e Zema (0,1%).
Polarização tende a irradiar efeitos sobre disputas locais
O levantamento também evidencia um contingente expressivo de eleitores ainda sem definição: 28,5% se declaram indecisos, enquanto 26% afirmam intenção de voto em branco ou nulo. Apesar disso, o padrão predominante é de concentração em dois polos, o que limita o espaço para alternativas competitivas no curto prazo.
Esse quadro de polarização consolidada tende a produzir efeitos indiretos nas disputas proporcionais e majoritárias no Estado. A configuração pode influenciar tanto a corrida ao Senado quanto a formação das bancadas na Câmara dos Deputados, com potencial impacto sobre o desempenho de candidaturas alinhadas a cada um dos campos políticos.

